A Polícia Civil de Goiás indiciou o ex-presidente da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg), Alisson Silva Borges, por corrupção passiva, peculato e fraude em contratos públicos. A conclusão consta em inquérito conduzido pela Delegacia Estadual de Combate à Corrupção (Deccor), no âmbito de um desdobramento da Operação Endrôminas, deflagrada em março de 2024.
Segundo a investigação, uma empresa contratada pela Comurg para fornecimento de materiais de construção teria custeado obras e serviços em uma propriedade particular de Alisson, localizada em um condomínio de chácaras em Bela Vista de Goiás, na Região Metropolitana de Goiânia. Entre os itens apontados estão materiais de construção, móveis, piscina, jacuzzi e equipamentos considerados de alto padrão. As notas fiscais somam R$ 143,45 mil.
O relatório final indica que os pagamentos privados teriam ocorrido no mesmo período em que a empresa recebia recursos públicos decorrentes de contratos milionários com a estatal municipal, sugerindo contrapartida indevida. A Polícia Civil afirma haver “vínculo direto” entre os benefícios concedidos ao então gestor e atos administrativos relacionados à liberação de pagamentos à empresa contratada.
O inquérito analisa três contratos firmados a partir do Pregão Eletrônico nº 007/2022, que totalizam R$ 11,8 milhões, envolvendo aquisição de materiais para obras da Comurg. Duas empresas foram investigadas: Comercial J. Teodoro Ltda. e Gyn Comercial e Atacadista Ltda.. A apuração aponta indícios de conluio para frustrar a competitividade da licitação, apresentação de preços inexequíveis e posterior liberação de pagamentos sem comprovação da entrega dos insumos.
Além de Alisson, foram indiciados dois ex-diretores da Comurg, servidores da companhia, empresários e o ex-secretário municipal de Desenvolvimento Humano e Social, Nélio Fortunato. Durante a operação, a Polícia Civil apreendeu R$ 431 mil na residência do ex-presidente da Comurg, em Goiânia. Esse valor, segundo o relatório, é objeto de outra linha investigativa.
A defesa de Alisson solicitou a suspensão do processo, alegando que o inquérito principal da Operação Endrôminas está suspenso por decisão do Supremo Tribunal Federal. Em nota, o advogado afirmou que o ex-presidente nega irregularidades e sustenta que os contratos seguiram os trâmites legais.






