A falha mais barata da aviação: a lâmpada que ajudou a derrubar o voo Eastern 401

O acidente deu origem ao conceito moderno de Gestão de Recursos de Cabine (CRM)

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Foto: Jerry Stanick – Jon Proctor collection

Na noite de 29 de dezembro de 1972, a aviação comercial vivia um momento de transição para a era dos “wide-bodies”, os aviões de mais de um corredor. O Lockheed L-1011 TriStar, orgulho da Eastern Airlines, era o que havia de mais moderno nos céus. Porém, o voo 401, que partiu do aeroporto JFK, em Nova York, com destino a Miami, provaria que até a tecnologia mais avançada é vulnerável a uma das falhas mais primárias: a distração humana.

O que começou como um voo festivo de fim de ano terminou em um dos acidentes mais emblemáticos da história, transformando a lama dos Everglades em um cenário de horror e, posteriormente, em um berço para mudanças profundas nas regras de segurança aérea.

A luz que não acendeu

Aproximadamente às 23h30, enquanto a aeronave começava a sua aproximação final para o Aeroporto Internacional de Miami, o Primeiro Oficial Albert Stockstill baixou o trem de pouso. Três luzes verdes deveriam confirmar que as rodas estavam travadas. Apenas duas acenderam.

A luz indicadora do trem de pouso do nariz continuava apagada. O Comandante Robert Loft, um veterano com cerca de 29.700 horas de voo, optou por abortar o pouso. Ele solicitou à torre de controle que o avião entrasse em uma órbita de espera (voando em círculos) sobre a região pantanosa dos Everglades, a uma altitude de 2 mil pés, enquanto a tripulação tentava resolver o problema técnico.

A queda silenciosa

Com o avião estabilizado pelo piloto automático, a cabine de comando virou o cenário de obsessão por causa da luz que não acendia. Loft, Stockstill e o engenheiro de voo Donald Repo concentraram toda a sua atenção na pequena lâmpada — cujo custo exato nunca foi oficialmente documentado, mas provavelmente era baratinha. Eles tentavam retirá-la e verificar se o filamento estava queimado ou se o trem de pouso realmente não havia baixado.

Foi nesse momento que o erro fatal aconteceu. Acredita-se que, ao se movimentar na cabine, o piloto automático, de forma não intencional, tenha sido colocado em um modo que não mantinha mais a altitude, permitindo uma descida lenta e quase imperceptível.

Como a noite estava extremamente escura e o terreno abaixo era o pântano desabitado da Flórida, não havia qualquer referência visual externa. Nenhum dos três tripulantes monitorou adequadamente os instrumentos de altitude por vários minutos — um período que se mostraria decisivo. Um sinal sonoro de alerta chegou a soar na cabine do engenheiro de voo, mas foi ignorado em meio à discussão sobre a luz do trem de pouso.

O impacto na escuridão

Foto: NTSB – Domínio público

Às 23h42, o Primeiro Oficial Stockstill finalmente olhou para o altímetro e exclamou: “Fizemos algo com a altitude?”. O Comandante Loft respondeu confuso: “O quê?”. Segundos depois, a asa esquerda atingiu a água, seguida pelo motor e pela fuselagem.

O gigante de metal se despedaçou ao longo de centenas de metros de lama e grama alta. Das 176 pessoas a bordo, 101 perderam a vida. Os sobreviventes enfrentaram horas de terror no pântano, lidando com queimaduras de combustível, jacarés, cobras e a escuridão absoluta até que o socorro, guiado por um caçador de rãs que presenciou a queda, chegasse ao local.

O veredito da investigação foi claro: falha humana associada à má gestão da cabine. A tripulação inteira deixou de monitorar adequadamente os parâmetros básicos de voo enquanto tentava resolver um problema secundário — e, como se descobriu depois, o trem de pouso estava de fato travado e seguro; o defeito estava apenas no sistema de indicação.

Caso virou documentário no streaming

Para além dos fatos técnicos, o acidente do Eastern 401 alimentou uma das lendas urbanas mais persistentes da aviação. Meses após a queda, relatos de tripulantes da Eastern afirmavam ter visto “aparições” do Comandante Loft e do Engenheiro Don Repo em outras aeronaves TriStar da companhia — especificamente naquelas que haviam recebido peças recuperadas dos destroços do voo 401.

Esse mistério, que mistura tragédia real com o sobrenatural, é o foco do documentário “Ghosts of Flight 401”, disponível na HBO Max e em outras plataformas de streaming. A produção explora os relatos da época e como a companhia aérea tentou conter os rumores para não espantar os passageiros.

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