Mateus Santos, de 22 anos, morador de Rio Verde, no sudoeste de Goiás, desapareceu após informar à família que participava da guerra na Ucrânia como integrante do Exército da Rússia. Segundo a mãe, Sandra Maria da Silva Santos, de 40 anos, o último contato ocorreu há mais de um mês, quando o jovem estava em Donetsk, no território ucraniano.
A Embaixada do Brasil em Moscou não se pronunciou sobre o caso. Sandra relatou que a situação começou em 16 de agosto, quando Mateus afirmou que viajaria a Brasília para visitar uma colega. Na ocasião, ele pediu R$ 70 à mãe para completar o valor da passagem e, em seguida, ficou três dias sem dar notícias.
“Na segunda-feira, ele disse: ‘Mãe, estou em Brasília’. Depois, na sexta-feira, mandou mensagem dizendo que já estava na Rússia desde segunda, que havia assinado contrato com o Exército e que iria para a guerra”, contou a mãe.
A família recebeu a informação com preocupação, já que ninguém tinha conhecimento da viagem nem do alistamento militar. Apesar do susto inicial, Mateus manteve contato frequente com os parentes durante os meses seguintes e falou pela última vez com a mãe em dezembro.
Segundo Sandra, o filho realizava chamadas de vídeo, enviava mensagens, fotos e vídeos que mostravam a rotina na Rússia. A interrupção repentina desse contato aumentou a apreensão da família.
“Ele dizia que estava tranquilo, às vezes comentava que a situação estava tensa, com bombas e drones. A gente vivia preocupado, mas quando ele parou de dar notícias, ficou muito pior”, desabafou.
A mãe afirma que Mateus assinou um contrato para atuar por cerca de um ano no Exército russo, mas a família desconhece o conteúdo do documento e o local exato da assinatura. Segundo ela, o jovem informou que militares recolheram celular, documentos e roupas assim que ele chegou.
Ainda de acordo com Sandra, um brasileiro que também integra o Exército Russo criou um grupo com mães, esposas e irmãs de outros jovens que viajaram para a guerra no mesmo período e também perderam contato com os familiares.
A família, natural da Bahia e residente em Rio Verde há 16 anos, registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil e mantém contato com a Embaixada do Brasil na Rússia e com a Cruz Vermelha do país.








