A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF) confirmou a aliados que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil após a derrota nas eleições presidenciais. A informação foi publicada nesta terça-feira (27) pelo colunista Igor Gadelha, do Metrópoles, que afirma ter apurado o relato com interlocutores próximos ao grupo político.
De acordo com a publicação, Michelle foi procurada por aliados que tentavam descobrir o paradeiro do senador. A ex-primeira-dama teria confirmado a pelo menos duas pessoas que o enteado havia deixado o país.
Ainda segundo a coluna, Flávio teria viajado para os Estados Unidos acompanhado da esposa, Fernanda Bolsonaro, e das duas filhas. A previsão divulgada era de que a família chegasse ao território norte-americano na tarde desta terça-feira.
Viagem teria sido organizada de última hora
Segundo o Metrópoles, a viagem teria sido organizada de última hora por Flávio Bolsonaro, com a ajuda de um grupo restrito de aliados no Brasil e nos Estados Unidos. A estratégia, conforme a publicação, seria evitar vazamentos sobre o deslocamento.
A coluna também informou que aliados do senador relataram a intenção de apresentar um pedido de asilo político ao governo do presidente Donald Trump assim que ele chegasse aos Estados Unidos.
Até a publicação da reportagem, não havia confirmação independente sobre a chegada de Flávio ao território norte-americano nem detalhes oficiais sobre um eventual pedido de asilo.
PF investigava possível saída do senador
A notícia foi divulgada após a Polícia Federal (PF) iniciar diligências para verificar se Flávio Bolsonaro havia deixado o Brasil pela fronteira com a Argentina.
A apuração começou depois que o veículo argentino Infobae publicou que o senador teria atravessado a fronteira até Puerto Iguazú, na província de Misiones, para embarcar em um jato particular com destino aos Estados Unidos.
Na manhã desta terça-feira, a PF consultou autoridades argentinas para verificar a possível entrada do parlamentar no país vizinho. Até aquele momento, as informações disponíveis não confirmavam oficialmente a viagem. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, também havia negado que ele tivesse deixado o Brasil.
Caso envolve decisão de Alexandre de Moraes
A possível saída do senador ganhou repercussão após uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o cancelamento dos passaportes de Flávio e estabeleceu a entrega dos documentos à Polícia Federal no prazo de 24 horas.
A decisão também proibiu o parlamentar de deixar o território nacional e de manter contato com o advogado Willer Tomaz, investigado em um inquérito que apura suspeitas de lavagem de dinheiro.
Em manifestação pública anterior, Flávio afirmou que cumpriria a determinação judicial, entregaria os passaportes e contestaria a decisão. A confirmação de sua saída do país, caso comprovada, poderá ter consequências jurídicas relacionadas ao cumprimento das medidas cautelares.
Até o momento, as informações sobre a viagem e a intenção de solicitar asilo político foram divulgadas pela coluna do Metrópoles com base em relatos de aliados. A confirmação oficial do deslocamento e eventuais manifestações das autoridades responsáveis pela investigação são necessárias para esclarecer o caso.
