O clima é de insegurança e alta dose de ansiedade entre os que estão dentro do atual governo e os que estão fora, à espreita, em aquecimento, esperando a chamada para entrar em campo, finalmente e gloriosamente nomeados.
Reeleito, o governador Daniel Vilela (MDB) falou, ao comemorar a reeleição, que vai promover uma “oxigenação” do Estado, com a incorporação de “novos quadros” à administração pública. Novos nomes, ele quis dizer. Gente dele. É a sua vez de mandar.
Não tem fim a fila de ‘desempregados’ pela derrota eleitoral, das chamadas ‘lideranças’ candidatas a cargo bem remunerado e bem localizado nas vitrines de negócios, e dos que almejam tão somente não sair do lugar na máquina pública. Máquina que agora é emedebista, não mais caiadista. Anote, porque isso é importante.
Ninguém está certo no cargo que ocupa hoje, nem seguro de que vai sobreviver. Todos aguardam. E todos se mexem em busca de padrinhos, de agrados ao governador, de um aceno sobre seu futuro, de um gesto que sensibilize e o eleja no Diário Oficial.
A lista de espera dos que estão fora, querendo ou esperando convite para entrar, cresce a cada dia. Alguns nomes que soam como naturais:
José Mário Schreiner
presidente da Faeg e coordenador da campanha de Daniel Vilela.
Gustavo Mendanha
ex-prefeito de Aparecida de Goiânia, que tentou o Senado.
Vanderlan Cardoso
senador que fica sem mandato ao final da atual Legislatura.
Zacharias Calil
médico e quase ex-deputado federal.
Ismael Alexandrino
deputado federal não reeleito.
Lincoln Tejota
deputado estadual não reeleito, primeiro suplente em sua chapa.
Vívian Naves/Roberto Naves
Ela, deputada estadual; ele, presidente do Republicanos e ex-prefeito de Anápolis. (Para eles, o problema: o prefeito Márcio Corrêa, do PL, elegeu quem ele quis e foi aliado corajoso de Daniel. Ficou contra o candidato de seu partido, Wilder Morais. E aí?)
Júlio Pina
deputado estadual não reeleito.
Adib Elias
ex-prefeito de Catalão não eleito. (O problema, para ele: rompeu com sua base, o prefeito Velomar Rios e o deputado estadual reeleito Jamil Calife. E em 2018, quando Daniel disputou o governo com Caiado, ficou contra Daniel.)
Delegado Waldir
ex-presidente do Detran e deputado federal não eleito.
Lívio Luciano
deputado estadual não eleito.
Há outros. Muitos outros. Nomes conhecidos, como estes, que estão no governo e devem ganhar mais protagonismo na nova gestão:
Paulo Ortegal
ex-braço direito de Iris Rezende e nome estratégico nas articulações emedebistas de bastidores.
Pedro Chaves
ex-deputado federal e um dos nomes de maior confiança de Daniel.
Andrey Azeredo
ex-presidente da Câmara de Goiânia e da geração de Daniel.
Francisco Júnior
ex-deputado estadual e da geração de Daniel.
Haroldo Naves
presidente estadual do MDB.
E mais uns tantos que, como Andrey, são ligados a Daniel Vilela pelo tempo, pela confiança e pela amizade. Também podem “cair pra dentro”:
Samuel Belchior
ex-deputado estadual.
Agenor Mariano
ex-vice-prefeito de Goiânia e presidente do MDB na Capital.
Wagner Siqueira
ex-deputado estadual e atual secretário municipal de Desenvolvimento Urbano de Aparecida de Goiânia.
Euler de Morais
ex-deputado federal e sempre fiel escudeiro do pai de Daniel, ex-governador Maguito Vilela.
E essa nem é a parte da “oxigenação” prometida por Daniel Vilela. Ela pressupõe nomes realmente novos, gente que não está contabilizada na agenda política corrente. Nomes para seu governo não ficar velho antes de começar.
E tem os que serão indicados por quem se elegeu senador, deputado federal, deputado estadual. Ou por se acharem merecedores da gratidão do governador, ou porque vão brigar por isso, negociar. É a luta natural por espaços de poder. Quem tem, seja pouco ou muito, quer mais.
De fundo, uma pergunta permeando os pormenores: E Caiado, vai indicar? Quantos? Quem? Para onde? E, enfim: será atendido? Em que medida?
Todo mundo candidato a cargo de 1º escalão, em um primeiro momento. Briga de foice. E o que mais há: aqueles que começam exigindo secretaria e acabam se desesperando por pelo menos uma subsecretaria, que seja. Uma superintendência: tá bom demais. Uma diretoria, ao menos. Uma gerência, pelo amor de Deus. O que sobrar.
E onde cabe todo mundo?
Em secretarias (serão quantas?), autarquias, empresas e órgãos que funcionam politicamente como escalão superior:
Goinfra (Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes);
Agehab (Agência Goiana de Habitação);
GoiásFomento;
Detran-GO;
Saneago;
Goiás Parcerias;
Metrobus;
UEG;
Ipasgo Saúde;
Juceg;
Emater;
Agrodefesa;
Goiasprev.
Em 2018, o recém-eleito Ronaldo Caiado optou por convidar nomes de fora do Estado para as secretarias de seu primeiro governo. Um secretariado com cara de ministério, dizia.
Luxo que Daniel não terá. Ousadia que não repetirá. E que nem indica querer. Pelo contrário. Ou vai peitar toda a avidez dos que o elegeram, pagando o preço político da decisão?
A demanda por espaços de poder no governo é infinita. Uma roda-gigante girando sem parar, pegando e atirando dos assentos os companheiros e as companheiras.
Fora os demais, há um MDB inteiro esperando há 28 anos para ocupar seu lugar na máquina, nessa imensa estrutura, nessa engrenagem que comandou de 1983 a 1998, com Iris Rezende e Maguito Vilela.
Ao comemorar a reeleição, Daniel disse que as mudanças devem ficar para 2027. Quem garante? Quem aguenta esperar?
Daí (não só por isso) que a ansiedade corre solta nos corredores de todos os cantos do governo e em suas cercanias.
Por ora, o governo está composto por dois grupos:
1 – os que emergiram essencialmente como soluções de continuidade técnica:
Renata Noleto (Economia);
Eliane Simonini (Goinfra);
Bruno Rocha Lima (Secom);
Ricardo Oliveira (Seinfra);
2 – os que ocupam posições com peso político e estratégico direto na estrutura em torno de Daniel, especialmente:
Iara Vilela (Primeira-dama, à frente do Gabinete de Políticas Sociais e da OVG);
Gean Carlo Carvalho (Secretaria Geral);
Bruno Belém (Casa Civil);
Haroldo Naves (presidente do MDB e na assessoria especial do governo).
No item 1 entraria Helena Bezerra, que conduziu a Secretaria da Educação no período da campanha. Nesta quarta, porém, voltou ao cargo a antecessora, Fátima Gavioli, que se candidatou a deputada federal e ficou na primeira suplência (PSD). Vão continuar?
Praticamente todos esses nomes são candidatíssimos a compor o governo: a permanecer ou mudar de lugar.
O risco é essa ansiedade toda, em vez de fazer o governo andar (com toda a equipe querendo mostrar serviço), faça a gestão travar, na incerteza.
Há sutilezas no anúncio de Daniel, no confronto entre a realidade e a formulação. A estratégia é outra, e está em curso: mudanças silenciosas, dos escalões inferiores para os mais visíveis. Até o barulho midiático de um anúncio em massa de novos auxiliares.
As mudanças na base do governo estão em curso há algum tempo.
Só não vê quem não quer. É fato.
Daniel Vilela chegou ao poder. Agora é hora de compartilhar esse poder, mas segundo a sua vontade.
Quem vai mandar, com ele, no Estado daqui para a frente?
E quem vai ficar para depois – ou para trás?
Daniel escolhe, Daniel demite. A tomada de poder está em curso. Questão de tempo.
