Não foi uma campanha simples, fácil, mas a senadora eleita Gracinha Caiado tem muito o que comemorar.
No início do ano, ela era unanimidade dentro do governo como candidata ao Senado.
Em julho, ela passou a sofrer ataques dentro da própria base governista. Tiros endereçados ao marido, Ronaldo Caiado (PSD).
Caiado demorou a resolver se a base teria dois, três ou mais candidatos a senador. E a escolha do vice na chapa da reeleição de Daniel Vilela (MDB) deixou sequelas.
Ficaram fora Adriano da Rocha Lima, seu preferido, e José Mário Schreiner, que tinha apoio da maioria das lideranças do grupo. O escolhido foi quem Daniel quis: o empresário Luís do Carmo, ligado à igreja Assembleia de Deus.
Nessa moenda das convenções, Gracinha viu a unanimidade e o favoritismo que a acompanhava se transformarem em risco de derrota. As crises internas resultaram em pressão para Daniel Vilela fechar questão e colocar a estrutura para funcionar em favor de Gracinha.
Gracinha não esperou quieta. Repaginou suas redes sociais. Focou nas ruas. Foi fazer campanha. Antes, evitava exposição e agenda corrida. Depois, misturou-se ao povo nos municípios ou onde houvesse gente, voto. E Caiado voltou. Voltou para pedir voto pra ela. Com ardor.
A questão que surge: que senadora será? Estilo Lúcia Vânia, sempre na estrada, indo e voltando na rota Brasília-municípios? Ou estilo Demóstenes Torres, que tinha como palco o debate nacional?
O movimento municipalista foi decisivo na eleição de Gracinha. Como discurso e como fonte de ação. Os coordenadores de sua campanha foram dois prefeitos. Os presidentes da AGM, Zé Delio, de Hidrolândia, e da FGM, Paulo Victor Avelar, de Jaraguá.
Lúcia Vânia foi uma senadora municipalista na prática e na pauta do mandato, no Congresso. Sua relação com prefeitos e lideranças do interior era conhecida e reconhecida, cultivada na militância política, nos tempos como deputada federal.
Lembram de seu mote quando candidata a governadora? “Ela conhece Goiás.” Lúcia Vânia declarou apoio a Gracinha. Gravou vídeo. Fez o gesto de retribuição a Caiado ao convite para assumir secretaria, lá atrás, e de quem acredita na mulher lutando por seu espaço no poder.
Gracinha será municipalista? Ou buscará protagonismo nacional? Vai focar mais na agenda dos jogos de poder em Brasília? Vai se desdobrar lá e cá? Vai querer ter protagonismo no governo Daniel, como teve nos passados? Circulará pelos corredores do Congresso e os tripeiros do Estado, como Caiado?
Caiado foi um senador candidato a governador. Por quatro anos, alternou-se entre o mandato e a construção de sua candidatura. Não descuidou dos debates nacionais, mas foi presencial na política estadual.
Gracinha firmou-se como gestora dos programas sociais dos dois governos de Caiado. Fez política nos bastidores, preparando campanha também. A do Senado. Vai preparar a de 2030, dela ou do marido?
Agora é a hora de Gracinha falar, se posicionar, mostrar o que pensa, o que vai defender, como vai votar, como começou a fazer na campanha. E mostrar aonde quer chegar com a sua eleição.
O primeiro passo está dado: o anúncio de apoio formal a Flávio Bolsonaro para presidente. Não é mais a primeira-dama falando. É a senadora eleita por Goiás se apresentando e se expondo politicamente.
Goiás conheceu e elegeu Gracinha Caiado gestora dos programas sociais e esposa de Ronaldo Caiado. Vamos conhecer a Gracinha política, com identidade própria. Que não seja outra, senão ela mesma. Mas qual?
E vamos vislumbrar o que o sobrenome pensa e almeja ainda em Goiás.
