A gestão da saúde pública em Goiânia sofreu uma alteração drástica na noite desta quarta-feira (1º). A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) anunciou a suspensão preventiva do contrato com a Sociedade Beneficente São José (SBSJ), organização social que estava à frente do Hospital e Maternidade Célia Câmara. Com a decisão, o Instituto Patris assume o comando da unidade de forma provisória para garantir a continuidade dos serviços.
O rompimento temporário ocorre após um período de incertezas operacionais na unidade. De acordo com informações técnicas da SMS, a antiga gestora não conseguiu comprovar o preenchimento integral das escalas médicas, além de apresentar deficiências críticas na reposição de estoques de medicamentos e insumos básicos. A intervenção direta foi necessária após vistorias in loco confirmarem que, apesar das notificações anteriores, o atendimento não havia sido normalizado.
Um dos pontos centrais do conflito administrativo envolve o fluxo financeiro. Enquanto organizações sociais frequentemente alegam atrasos em repasses para justificar falhas operacionais, a SMS sustenta que os pagamentos para a gestão das maternidades municipais estão rigorosamente em dia. O impasse sobre a prestação de contas da SBSJ foi o gatilho para a transferência de gestão, visando evitar um colapso no atendimento às gestantes e recém-nascidos.
O Instituto Patris, que já coordena outros serviços de perfil semelhante na rede municipal, foi o escolhido para a transição. Segundo a pasta, o histórico de desempenho da entidade pesou na decisão pela escolha direta e temporária. Enquanto o Célia Câmara passa por essa reformulação administrativa, as maternidades Dona Íris e Nascer Cidadão seguem operando sem alterações, mantendo o cronograma de partos e consultas eletivas.
A situação do Hospital Célia Câmara acende um alerta sobre o modelo de gestão por Organizações Sociais (OSs) na capital. A suspensão preventiva é uma medida administrativa forte, que sinaliza uma tentativa do poder público de retomar o controle sobre a eficiência do gasto e a qualidade da assistência na ponta. Por ora, o desafio do novo instituto será recompor as equipes médicas e reabastecer a farmácia central da unidade em tempo recorde.
