Os sindicatos que representam trabalhadores e patrões do comércio varejista de alimentos em Goiás negociam, neste mês, uma proposta que pode alterar o funcionamento dos supermercados aos domingos.
O Sindicato dos Empregados no Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios do Estado de Goiás (Secom-GO) defende o fechamento das lojas aos domingos e a redução da jornada semanal de 40 para 36 horas. Atualmente, os funcionários cumprem oito horas diárias em escala 6×1, com uma folga semanal em dia variável.
O Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios no Estado (Sincovaga-GO), que representa os empresários, analisa a proposta. O trâmite segue um rito: o Secom-GO enviará uma minuta com os pedidos até sexta-feira (6); o Sincovaga-GO responderá com uma contraminuta apontando os pontos de concordância. Se houver consenso até 30 de março, as partes assinam uma convenção coletiva que passa a valer a partir de 1º de abril, data-base da categoria. Caso contrário, a mudança dependerá de acordos individuais por empresa ou grupo, processo mais demorado.
José Nilton Carvalho, procurador jurídico do Secom-GO, explica que a medida pode beneficiar cerca de 45 mil funcionários em todo o estado. Ele espera que, entre 25 e 30 de março, as diretorias e departamentos jurídicos dos dois sindicatos se reúnam para assinar o acordo. Se aprovado, o fechamento aos domingos começaria em 10 de abril, dando às empresas dez dias para ajustar as escalas.
O superintendente do Sincovaga-GO, Alessandro Jean Pereira de Faria, afirma que, embora não possa antecipar o voto dos quase 17 mil estabelecimentos associados, extraoficialmente a maioria dos empresários se opõe à mudança. A principal preocupação é o impacto no consumidor, especialmente a dona de casa que trabalha durante a semana e faz as compras no domingo.
O Secom-GO também argumenta que a redução da jornada e o fechamento aos domingos atrairiam a Geração Z, que atualmente evita o setor. Segundo José Nilton, há um déficit de 7 mil trabalhadores na Região Metropolitana, e a meta é contratar 12 mil com as novas regras. Alessandro Jean, no entanto, contesta a alegação, afirmando que não há reclamações dos empresários sobre falta de mão de obra.
As negociações ocorrem em meio ao debate nacional sobre o fim da escala 6×1, em discussão no Congresso. Se não houver consenso, o Secom-GO buscará acordos coletivos por empresa, um caminho mais trabalhoso, segundo José Nilton.






