Daniel Vilela (MDB) tem se mexido bastante como pré-candidato a governador de Goiás. Marconi Perillo (PSDB) está em movimentação constante. Wilder Morais (PL) faz barulho (tímido) em suas redes sociais. A deputada federal Adriana Accorsi (PL) é mais candidata à reeleição do que a governadora.
E o eleitor goiano? Em geral, ligado em outro mundo. Tem mais com o que se preocupar.
Levantamento do instituto Grupom publicado recentemente no portalGO (portalgo.com.br) indica que os esforços dos nomes até agora na disputa no Estado têm tido pouco resultado na percepção do eleitorado.
Isso explica em parte as pesquisas de intenção de voto não saírem do lugar no que mostram há alguns meses: Daniel lidera, os outros três o seguem.
Imagem não é algo que se constrói da noite para o dia. Daniel, Wilder e Adriana são bem menos conhecidos que Marconi.
Não ser conhecido é uma vantagem quando há espaço para uma exposição positiva. E quando há competência dos marqueteiros e estrategistas neste sentido.
Marconi tem a ‘dificuldade’ de ser amplamente conhecido porque isso implica maior rejeição, o que os números atestam. Mas tem também a vantagem por uma conta à parte: os mesmos números deixam claro que ele está no jogo, o que meses atrás muitos duvidavam que ele conseguiria.
Significa, por exemplo, que os estrategistas dele precisam calibrar melhor a mira e acertar no centros dos alvos. A margem para erros é a menor dos quatro.
Conhecimento é (quase) tudo, agora. Como ficar conhecido do eleitorado quando esse eleitorado não está prestando atenção ao jogo eleitoral? (Ou, caso do tucano, como baixar rejeição se o espaço por ora é feito de névoa e distrações?)
Cada um com seu problema.
Considerando-se a rejeição de Marconi, que Wilder depende de Jair Bolsonaro até pra ser candidato, e que Adriana é mas não é a candidata lulista (não se movimenta para isso), a questão que fica salta do palanque vem a ser esta: que fará Daniel, em situação de vantagem na largada?
Daniel, vice-governador, espera abril chegar, porque aí será o governador, com a saída anunciada de Ronaldo Caiado (União Brasil) para buscar a candidatura s presidente da República.
Governador em busca de reeleição, presidente do maior partido do Estado, jovem e herdeiro da memória do ex-governador Maguito Vilela, Daniel tem a eleição na mão.
Basta errar menos que os outros. Eleição, ganha quem erra menos. Todos sabem. Ou não?
A aposta – e torcida – marconista e dos outros é exatamente esta: que ele erre, que não seja real o índice de quase 90% de aprovação do governo Caiado, e que seja pra valer (e perdure ao afago ou à pressão do Palácio) um eventual descontentamento que juram existir, com sinceridade política, na base governista em relação a Daniel.
Muito acreditam em Papai Noel. Outros, atentam ao espírito natalino. E segue a peleja.
É razoável que se considere que o principal eleitorado de Daniel neste momento nem é o amplo, geral e irrestrito de todos os municípios goianos. O que vai para as urnas em massa, ano que vem. É o interno: o governista e o emedebista.
Daniel precisa ter a lealdade e a fidelidade dessa massa, que funciona como cabo eleitoral de ponta. Significa entusiasmar, ganhar apoio e motivar todo mundo a lutar por ele.
Na base do Daniel por todos, todos por Daniel.
Porque se deixar tão ampla força de cabos eleitorais migrarem desde já para os adversários, depois será difícil estancar uma possível sangria ou trazer de volta ao copo o leite derramado.
Fato. Esta é a partida jogada nesta hora.
Daniel tem feito a sua parte. Está em campo como pré-candidato muito antes de ser ao menos governador de direito.
Ocorre que outro jogo vale mais, na prática do exercício do poder: o que é liderado por Ronaldo Caiado, ainda governador – por direito e dever.
Daniel atropelar Caiado seria pôr tudo s perder. Daniel fazer tabela com Caiado é o lance. Ou alguém duvida que o dono da bola manda no jogo?
O que está apontado na pesquisa Grupom sobre imagem a ser polida e divulgada é caminho, não é limite. Feito o dever de casa, a perspectiva de vitória e poder se impõe e o diploma chega.
Os adversários têm mais com que se preocupar do que Daniel Vilela. Colabora para isso que ele nem seja o alvo principal dos discursos de qualquer dos três. Quem está na mira é Caiado, que não é candidato e tem aprovação, vale repetir, de quase 90% dos goianos.
Daniel subiu no palanque e tem estrutura de apoio sólida. Marconi pulou tem poucos dias e anda na fé, e a pé (veja que ele soluçou: fez barulho de lançamento de campanha e depois…). Wilder e Adriana estão jogando parados, na base da expectativa da polarização nacional.
Separem os quem sonham acordados no palanque dos que voam sem tirar os pés no chão e a realidade aparecerá. Sem tergiversação.
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* Texto publicado também no Diário de Aparecida









