O nome do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) estaria na lista de passageiros de um jato executivo que permaneceu no aeroporto de Puerto Iguazú, na Argentina, na madrugada desta terça-feira (27). A informação foi relatada pelo piloto Mauro Mattosinho, que afirmou ter recebido o dado de um funcionário do terminal aeroportuário. Até o momento, porém, não há confirmação de que o parlamentar tenha embarcado na aeronave ou entrado no país vizinho.
Segundo Mattosinho, o funcionário, que não quis ser identificado, informou que o avião tinha previsão de decolagem às 2h, mas ainda permanecia no aeroporto por volta das 7h. A aeronave aguardava quatro passageiros, entre eles Flávio Bolsonaro.
O relato foi divulgado em meio às buscas da Polícia Federal (PF) para esclarecer se o senador deixou o Brasil, após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o cancelamento dos passaportes do parlamentar e proibiu sua saída do país.
Jato saiu de Buenos Aires e pousou em Puerto Iguazú
De acordo com as informações divulgadas, o avião é um Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, operado pela empresa argentina Baires Fly S.A. A aeronave saiu de Buenos Aires às 22h14 de segunda-feira (26) e pousou em Puerto Iguazú às 23h45.
O funcionário do aeroporto teria informado que três passageiros já haviam se apresentado para o embarque por volta de 1h30. No entanto, problemas relacionados à documentação teriam impedido a decolagem no horário previsto.
Ainda segundo o relato, o campo destinado aos documentos de identificação de Flávio Bolsonaro estaria em branco na lista de passageiros. As informações foram repassadas ao piloto, que não afirmou ter presenciado a presença do senador no local.
Autoridades argentinas negam registro de entrada do senador
A Direção Nacional de Migrações da Argentina informou que não encontrou registro de entrada de Flávio Bolsonaro no país. No Brasil, a Polícia Federal realiza verificações nos pontos de fronteira para apurar se o parlamentar deixou o território nacional.
As equipes também verificam registros de voos entre os dois países. Até a publicação das informações, as consultas não haviam identificado uma passagem oficial do senador pelos controles regulares de fronteira.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio, também negou que ele tenha deixado o Brasil. Não há confirmação oficial de que o parlamentar tenha chegado ao aeroporto argentino ou embarcado no jato.
Moraes proibiu Flávio Bolsonaro de deixar o Brasil
Na segunda-feira (26), Alexandre de Moraes determinou o cancelamento dos passaportes de Flávio Bolsonaro e proibiu o senador de deixar o país. A medida passou a ser acompanhada pela Polícia Federal em meio às informações sobre uma possível viagem internacional.
A suspeita de deslocamento para a Argentina ganhou repercussão após notícias sobre a movimentação do jato executivo em Puerto Iguazú, cidade localizada a cerca de 22 quilômetros da fronteira brasileira, próxima a Foz do Iguaçu, no Paraná.
Até o momento, entretanto, o relato sobre a inclusão do nome do senador na lista de passageiros não comprova que ele tenha embarcado na aeronave ou descumprido a determinação judicial. A apuração das autoridades busca esclarecer o paradeiro do parlamentar e as circunstâncias da possível viagem.
