Lula e Daniel Vilela vão fazer governos de transição. Tarcísio de Freitas sai na frente para 2030

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colagem jornal lula daniel lado a lado | PortalGO

Lula reeleito para o quarto mandato mostra que é maior que o presente. Ele é o futuro, como candidato a maior nome da política brasileira todos os tempos.

Na consolidação dos votos agora e do apoio popular ao longo dos anos, ele vai além de todos os antecessores. Vai perpetuar-se na memória do mundo e na História do Brasil com louvor.

Mas não terá vida fácil no novo mandato. O Congresso é conservadorismo, de direita, com ênfase bolsonarista. O resultado da eleição mostra um País dividido no gosto e na preferência dos cidadãos. Fato que merece respeito.

O Brasil é uma Nação em guerra. A polarização que nos agride não é política. Tem dimensão maior. Carrega insatisfação legítima e algoritmos direcionados, curtidos na substância do ódio e do rancor.

Desarmar essa bomba não será fácil. Lula terá de dialogar mais do que costuma fazer. Rever ações pessoais, a economia, o governo. Repactuar relações, seja com o Centrão, seja com a direita. E com os radicais.

Com a esquerda, sua base de apoio e sustentação, o caso é mais grave. O papo parte do entendimento de que, na virada do 1º para o 2º turno, o medo de um Bolsonaro no poder foi maior do que o amor incondicional por ele. Há paixão. E há contrariedade.

Nesta eleição, prevaleceu o sentimento de medo. O anti-Flávio, com o risco do império bolsonarista, foi maior que o anti-PT, a continuidade do lulismo, no resultado final.

O engajamento popular que deu a largada à mobilização da virada foi espontâneo, não foi articulado. Partiu da juventude nao-filiada, de repente engajada em uma luta pela sobrevivência e a esperança (essa tão ausente da política).

Para a direita, o resultado negativo carrega nuances. Flávio Bolsonaro perdeu. Jair Bolsonaro perdeu. Eduardo Bolsonaro perdeu. O plano de dominação familiar foi derrotado.

E a direita que se esconde no bolsonarismo. A direita perdeu – mas também ganhou.

Perdeu a disputa deste ano. Abriu caminho, a uma candidatura em 2030, para um de seus principais nomes hoje: Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, que só não foi candidato à Presidência porque o Bolsonaro preso não deixou.

Flávio Bolsonaro eleito significaria Flávio indo inevitavelmente à reeleição (ele disse que não; você acreditou?), ou quem sabe Jair Bolsonaro voltando triunfalmente como candidato. Tarcísio e qualquer outro nome teriam que esperar. Esperar sentados.

Lula fará um governo de transição.

E a direita não-bolsonarista já sai do 2º turno com um candidato em campanha para daqui quatro anos. Tarcísio é o nome. Ou quem se viabilizar. A esquerda começa essa campanha sem um nome. Sem candidato.

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL) colocou logo no domingo de votação a palavra de ordem impeachment de Lula, para o ano que vem.

Provável que haja esforço nesse sentido. Mas o sentido, de verdade, é outro. Nikolas está no grupo dos direitistas que não se esforçam faz tempo para serem chamados de bolsonaristas. Busca caminho próprio.

E há o lado pragmático das articulações. Davi Alcolumbre e Hugo Mota, ameaçados na reeleição para as presidências do Senado e da Câmara, voltam a ser favoritos aos postos que ocupam, em arranjo contra a direita.

Vão a campo com apoio de Lula, de quem se reaproximaram nas últimas semanas, e contra os bolsonaristas, que os ameaçaram, durante a campanha de Flávio, com sonegação de votos na eleição da Mesa.

Impeachment, na mão deles, é bola no peito, e não no bico da chuteira. Moeda de negociação, e não pedra no estilingue. Lula terá vida difícil e mantê-la nestes termos convém ao opositor que não busca rompimento imediato: o Centrão.

O candidato do Centrão é sempre um candidato mais à direita, que representa os setores econômicos majoritários do País – algo maior wue ideologia no papel. Algo a ser construído e estabelecido na hora certa. Como sempre. Modus operandi.

Na baliza dos interesses, este é um arranjo bom para a governabilidade de Lula e muito bom para a construção de uma candidatura sólida em 2030.

Política na veia: tensionar sem romper; esperar para ver.

Não quer dizer que esquerda e bolsonarismo estejam fora do jogo político eleitoral. O jogo mudou. Mudam os jogadores. Mudam os parâmetros.

Estarão em xeque daqui pra frente o bolsonarismo e a direita; o lulismo e a esquerda. Uma grande oportunidade para que os extremos seja colocados nos seus devidos lugares.

Sairá dessa batida no liquidificador político o futuro do Brasil. Assim como o futuro político de Goiás será o resultado da transição local, representada pela reeleição do governador Daniel Vilela (MDB) no 1º turno.

Daniel, reeleito, não poderá tentar outro mandado seguido. Ele representa o fim e o início de dois ciclos históricos em Goiás – um velho terminando, um novo começando -, como Lula em relação ao Brasil.

Caiado, derrotado no 1º para presidente, com votação baixa em Goiás, e no 2º turno, por ter entrado na campanha de Flávio e Lula ter crescido na sua votação, terá de avaliar bem os próximos passos.

Caiado vai apertar o parafuso para uma tensão calculada com Daniel, de olho na volta ao governo em 2030? Ou respirará fundo, sabendo que não manda mais no Estado e precisa calcular o tiro, para não sair pela culatra?

O que será do PL e da direita no País e em Goiás é uma questão maior que a salvação de Jair Bolsonaro e do bolsonarismo. A direita está em jogo. A direita que é e não é, escondida atrás de Bolsonaro.

Líderes em ascensão nacional, como Tarcísio e Nikolas, terão de decidir urgentemente – e agir astutamente – se querem permanecer atados aos interesses de uma família apenas, ou construir seus próprios projetos de poder. Bolsonaro será cobrado por ter insistido em Flávio. Por que não Tarcísio?

Em sentido contrário ao de Flávio, sai como herói dos vencedores desta eleição o deputado federal mineiro (como Nikolas) André Janones. Janones levantou a moral e a bandeira da virada. Cantou a pedra. Contou que era possível ganhar. E ganhou.

Janones chegou aonde a esquerda e suas ramificações, os progressistas, nunca conseguiram. Ele mostrou o caminho para o combate ao maior ativo bolsonarista: a mobilização com ação nas redes sociais. Ensinou como agir, como reagir, o que fazer.

Janones inaugurou uma nova dinâmica na política: como combater o jogo da direita nas redes sociais, com o fim das goleadas nas redes e nas ruas. A senha foi dada. Se a lição não foi aprendida, novas derrotas serão merecidas.

Nas próximas semanas e meses haverá discursos e ranger de dentes dos derrotados. Flávio Bolsonaro anunciou no dia de sua derrota que vai pedir a anulação da eleição. Mau perdedor, porém bom narrador.

O Choro é livre. A culpa, rebate o perdedor, é de Cristiano Zanin, que prorrogou a votação por suas horas. Só que Zanin o fez a pedido da campanha de Lula e da campanha dele, Flávio. Sem críticas do presidente do TSE, Nunes Marques. Zanin, indicado por Lula; Marques, por Bolsonaro.

A insatisfação faz parte. Natural. Nos limites da política, tudo vale. O que não vale é vale tudo com as consequências recaindo em um País conflagrado. Oposição é necessária. País sem oposição é País de uma nota só. Oposição caótica, a quem interessa?

O Brasil carece de mais política e menos ódio. Sem mistificação, diria Drummond. Porque chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus, a culpa é sempre dos outros.

Mais conversa e menos bravatas cairiam bem ao País. Mais debates e menos combates pessoais. Muito mais amor ao próximo e muito menos desespero por vingança. Mais propósito e espírito público, e menos palanque.

Principalmente, o Brasil carece de mais povo consciente de que políticos corruptos são o resultado de votos ruins, e menos povo disposto à corrupção dos votos.

Ronaldo Caiado e Daniel Vilela reconheceram a vitória de Lula, em entrevista. Republicanos no trato. No 2º turno, ambos apoiaram Flávio Bolsonaro. Caiado ganhou tempo para se reorganizar. Daniel ganhou o PL para a sua governabilidade.

Recompor com Lula será fácil. O primeiro gesto foi este: o reconhecimento imediato de sua reeleição. Quase na mesma hora, Lula discursava pregando que governará para todos. É isso.

Flávio quer o povo nas ruas para um suposto 3º turno. No 2º turno, todavia, o povo dele não foi às ruas com a mesma gana de outras eleições. O povo bolsonarista que intimidava o povo lulista perdeu feio desta vez. O jogo nas ruas virou antes da eleição virar.

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