ELEIÇÕES 2026 • ANÁLISE
Eleições 2026: como Lula virou e venceu Flávio no 2º turno
Em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro saiu na frente. Três semanas depois, Lula venceu com 4,43 milhões de votos de diferença. Esta é a história dessa virada, contada pelos números do TSE.

51,79%
Lula (PT)
64.256.232 votos
48,21%
Flávio Bolsonaro (PL)
59.826.041 votos
Presidência da República · Dados do TSE consultados em 26 de outubro de 2026
CAPÍTULO 1 · 4 DE OUTUBRO
Flávio saiu na frente, por menos de dois pontos
47,03%
Flávio Bolsonaro (PL)
56.104.503 votos
45,16%
Lula (PT)
53.879.538 votos
O primeiro turno terminou com Flávio Bolsonaro 2.224.965 votos à frente: 1,87 ponto percentual de diferença sobre os votos válidos. Era uma vantagem real, mas curta numa disputa de 119,30 milhões de votos válidos.
Havia ainda um terceiro bloco: 9.316.747 votos, 7,81% dos válidos, que foram para outros candidatos. Esse contingente era mais de quatro vezes maior que a diferença entre os finalistas, e, com apenas dois nomes na disputa final, passou a estar em jogo.
Fonte: TSE · 1º turno, resultado nacional incluindo votos no exterior.
CAPÍTULO 2 · 25 DE OUTUBRO
Três semanas depois, mais gente foi votar
+2,96 mi
pessoas a mais nas urnas
Comparecimento: de 78,92% para 80,78%
−1,82 mi
votos brancos e nulos a menos
De 5,98 milhões para 4,15 milhões
+4,78 mi
votos válidos a mais
De 119,30 milhões para 124,08 milhões
A abstenção caiu de 21,08% para 19,22%. Somada ao recuo de 1,82 milhão nos votos brancos e nulos, essa mudança explica, em termos contábeis, os 4,78 milhões de votos válidos a mais no segundo turno.
Para dimensionar: o aumento de 4,78 milhões de votos válidos é mais que o dobro do saldo que Flávio tinha ao fim do primeiro turno (2.224.965 votos). O universo de votos em disputa cresceu mais do que a diferença entre os dois. Os próximos capítulos mostram onde o saldo mudou.
CAPÍTULO 3 · A VIRADA NO BRASIL
Os dois cresceram. Lula cresceu quase três vezes mais
+10,38 mi
votos a mais que no 1º turno · Lula
+6,62 ponto percentual na parcela dos votos válidos
+3,72 mi
votos a mais que no 1º turno · Flávio
+1,19 ponto percentual na parcela dos votos válidos
O saldo entre os dois, em votos
Lula somou 10.376.694 votos ao que tinha no primeiro turno; Flávio, 3.721.538. Ambos cresceram, mas o avanço de Lula foi maior e suficiente para inverter a liderança.
Em votos, o saldo saiu de 2.224.965 a favor de Flávio para 4.430.191 a favor de Lula. Essa mudança de 6.655.156 votos é exatamente a diferença entre os ganhos líquidos de cada candidato. E é o saldo, não o total de cada um, que decide uma eleição.
Fonte: TSE · resultado nacional, incluindo votos no exterior · 1º turno e 2º turno. Valores arredondados para facilitar a leitura.
CAPÍTULO 4 · NOS ESTADOS
Virar um estado e ganhar votos são movimentos diferentes
1 de 27
UF mudou de líder
Minas Gerais: de Flávio para Lula
42%
da mudança no saldo nacional veio de SP, MG e RJ
2.764.814 dos 6.655.156 votos
Minas Gerais foi a única UF em que a liderança entre os dois finalistas mudou. Flávio saiu do primeiro turno com 588.612 votos de vantagem; Lula acrescentou 1.162.163 votos, contra 464.238 do adversário, e terminou 109.313 à frente.
São Paulo e Rio continuaram com Flávio, mas ele perdeu vantagem. Em São Paulo, Lula ganhou 2.613.861 votos, seu maior avanço absoluto entre as UFs, e Flávio somou 1.217.155: a vantagem do PL caiu de 3.416.610 para 2.019.904 votos. No Rio, caiu de 1.273.823 para 603.640. Perder por menos também foi parte da virada.
Bahia, Pernambuco e Ceará mostram o outro lado: estados onde Lula já liderava. Juntos, ampliaram o saldo em 1.541.575 votos. Olhar apenas para os estados que trocaram de cor oculta a maior parte do movimento.
Quanto o saldo entre Lula e Flávio mudou em cada UF
Saldo é a diferença de votos entre os dois finalistas. Em Minas Gerais, por exemplo, o saldo mudou 697.925 votos a favor de Lula. Somar essa mudança em todas as UFs mostra quais estados mais pesaram na virada. Selecione uma linha para abrir o estado.
CAPÍTULO 5 · NA HISTÓRIA
Pela primeira vez, o segundo colocado no primeiro turno venceu a Presidência
7 em 7
disputas com segundo turno, de 1989 a 2022, foram vencidas por quem liderou o primeiro
Collor, Lula, Dilma e Jair Bolsonaro
2026
a exceção
Flávio liderou o 1º turno; Lula venceu o 2º
Nas sete eleições presidenciais brasileiras decididas em dois turnos entre 1989 e 2022, venceu quem havia liderado a primeira votação. Em 2026, essa sequência foi interrompida: Flávio ficou à frente no primeiro turno, e Lula venceu o segundo.
Veja quem liderou e quem venceu desde 1989
| Eleição | Líder do 1º turno | Vencedor do 2º turno |
|---|---|---|
| 1989 | Fernando Collor | Fernando Collor |
| 2002 | Lula | Lula |
| 2006 | Lula | Lula |
| 2010 | Dilma Rousseff | Dilma Rousseff |
| 2014 | Dilma Rousseff | Dilma Rousseff |
| 2018 | Jair Bolsonaro | Jair Bolsonaro |
| 2022 | Lula | Lula |
| 2026 | Flávio Bolsonaro | Lula |
1994 e 1998 não entram nesta comparação: Fernando Henrique Cardoso venceu as duas eleições no primeiro turno.
Virada entre turnos não é virada na apuração. Aqui comparamos os resultados finais de duas votações. Durante a contagem de um mesmo turno, a liderança pode mudar conforme novas urnas são totalizadas.
Contexto histórico: CNN Brasil · histórico das sete disputas anteriores · TSE: eleições encerradas no primeiro turno.
CAPÍTULO 6 · SUA VEZ
Como foi a votação no seu estado?
As cores mostram o resultado de cada UF. O tamanho no mapa representa o território, não a quantidade de eleitores.
O QUE OS NÚMEROS MOSTRAM
Quem votou — e quem ficou de fora
Quem foi às urnas
Quantos eleitores votaram ou deixaram de votar no 2º turno.
O destino dos votos
Como se dividiram os votos de quem foi às urnas no 2º turno.
O resultado em todos os estados
Selecione uma linha para abrir a análise do estado. Percentuais dos candidatos calculados sobre os votos válidos.
| Estado | Distribuição dos votos | Vencedor e vantagem (p.p.) | Mudança no saldo desde o 1º turno | Comparecimento |
|---|
Ler a análise de cada estado em texto corrido
Os mesmos textos exibidos ao lado do mapa, reunidos para leitura direta e visíveis mesmo sem JavaScript. Para revisar um texto, edite o parágrafo aqui: o explorador lê este conteúdo.
BrasilA virada combinou ampliação de vantagens e redução de derrotas
Lula saiu de uma desvantagem de 2.224.965 votos para uma vitória por 4.430.191. A diferença entre os candidatos se deslocou 6.655.156 votos: Lula ganhou 10.376.694, e Flávio, 3.721.538. O candidato do PL ampliou sua votação, mas a expansão de Lula foi quase três vezes maior.
A mudança não dependeu de uma ampla troca de vencedores no mapa. Apenas Minas mudou de líder. São Paulo e Rio continuaram com Flávio, mas reduziram sua vantagem em 1.396.706 e 670.183 votos. Junto de Minas, esses três estados responderam por aproximadamente 42% do deslocamento nacional da diferença. Perder por menos também foi uma parte central da virada.
Outra parte veio de estados onde Lula já liderava. Bahia, Pernambuco e Ceará ampliaram conjuntamente seu saldo em 1.541.575 votos. O resultado combinou recuperação em territórios adversários e fortalecimento de maiorias já existentes; olhar apenas para os estados que trocaram de cor oculta a maior parte desse movimento.
O comparecimento aumentou em 2.960.239 pessoas, e os brancos e nulos diminuíram em 1.821.246. Com isso, o total de votos válidos cresceu 4.781.485. Havia ainda 9.316.747 votos de outras candidaturas no primeiro turno. Esses números delimitam as mudanças do eleitorado, mas não revelam transferências individuais nem demonstram o efeito causal de alianças, campanha ou mobilização.
AcreAcre: Flávio perdeu votos, mas conservou dois terços dos válidos
Flávio caiu de 302.807 para 287.715 votos; Lula subiu de 134.770 para 144.513. A vantagem do candidato do PL recuou de 168.037 para 143.202 votos, mas continuou ampla: ele encerrou com 66,57% dos válidos.
A maior parte da redução da diferença veio da queda de Flávio, de 15.092 votos, superior ao acréscimo de 9.743 de Lula. O ganho percentual petista, de 28,73% para 33,43%, deve ser lido junto dessa retração do adversário e da mudança no total de votos válidos.
O comparecimento caiu em 34.676 pessoas. O Acre combina perda absoluta do vencedor com manutenção de uma maioria confortável: a redução de votos não foi suficiente para tornar a disputa local equilibrada.
AlagoasAlagoas: Lula passou de 60% enquanto Flávio pouco ampliou sua votação
Lula ganhou 157.162 votos e alcançou 60,77% dos válidos. Flávio acrescentou apenas 8.422, uma expansão de cerca de 1% sobre sua votação inicial. O contraste de desempenho foi forte, embora não tenha havido queda absoluta do candidato do PL.
A vantagem petista passou de 259.741 para 408.481 votos, crescendo 148.740. Esse deslocamento é muito próximo do próprio ganho de Lula, porque o avanço do adversário foi pequeno.
O comparecimento aumentou em apenas 13.204 pessoas, bem menos que a expansão dos finalistas. O fortalecimento de Lula não pode ser explicado somente por uma presença maior nas urnas; a concentração da disputa também faz parte do quadro.
AmapáAmapá: de apenas 225 votos de diferença a uma vitória mais definida
O primeiro turno deixou os finalistas praticamente empatados: Lula tinha 212.503 votos e Flávio, 212.278. A distância de apenas 225 votos passou para 24.294 no segundo turno, quando Lula alcançou 52,88% dos válidos.
A abertura da vantagem combinou 10.465 votos a mais para Lula com 13.604 a menos para Flávio. A perda do candidato do PL respondeu pela maior parte da mudança na diferença, embora Lula também tenha ampliado sua votação.
O comparecimento caiu em 46.587 pessoas. O resultado mostra uma disputa que se afastou do empate mesmo com participação menor; os totais não permitem dizer quais grupos deixaram de votar ou se houve transferência direta entre os candidatos.
AmazonasAmazonas: Lula abriu vantagem com comparecimento menor
Lula saiu de 48,23% para 54,02% dos válidos. Seu ganho de 98.787 votos ocorreu ao mesmo tempo que Flávio perdeu 1.519. A diferença entre eles passou de 70.232 para 170.538 votos, mais que dobrando.
A queda de Flávio foi pequena diante de sua votação inicial, mas o contraste com o crescimento de Lula teve efeito claro: uma disputa relativamente próxima no primeiro turno terminou com uma liderança mais folgada do petista.
Houve 42.490 comparecimentos a menos no segundo turno. A recuperação nacional de participação não se repetiu no Amazonas, e não explica o avanço local de Lula. Para atribuir o resultado a alianças ou mobilização territorial, seria necessário investigar municípios e seções.
BahiaBahia: uma liderança já ampla ganhou mais 654 mil votos de saldo
Lula já havia superado a metade dos válidos no primeiro turno, com 66,17%, e chegou a 71,31% no segundo. Seus 820.487 votos adicionais ampliaram uma vantagem que já era de 3,22 milhões. Flávio ganhou 166.176 votos, mas não acompanhou o ritmo do petista.
A Bahia terminou com 3.876.497 votos de vantagem para Lula, o maior saldo favorável ao petista entre as UFs. Entre os turnos, acrescentou 654.311 votos à diferença entre os candidatos. Portanto, sua contribuição combinou uma base inicial muito grande com nova ampliação na etapa final.
O comparecimento cresceu em 368.446 pessoas. A expansão da participação ocorreu junto do fortalecimento de Lula, mas os dados estaduais não permitem afirmar que os eleitores que passaram a comparecer foram responsáveis por seu avanço.
CearáCeará: a distância cresceu apesar do avanço dos dois candidatos
Lula ganhou 480.861 votos e passou de 63,29% para 68,93% dos válidos. Flávio acrescentou 62.628 votos. Assim, a expansão do petista foi mais de sete vezes a do adversário, sobre uma base que já era majoritária no primeiro turno.
A vantagem de Lula aumentou de 1.798.413 para 2.216.646 votos. O Ceará adicionou 418.233 votos ao saldo petista entre os turnos, combinando uma vitória confortável com uma contribuição expressiva para a mudança nacional.
O comparecimento subiu em 114.372 pessoas. Esse aumento, sozinho, é menor que a expansão das candidaturas: a comparação também envolve votos que estavam fora dos dois finalistas na primeira votação. Não é possível individualizar a origem do crescimento.
Distrito FederalDistrito Federal: a diferença encolheu em um terço
Lula ganhou 149.597 votos, mais do que o dobro dos 69.926 de Flávio. Com isso, passou de 38,11% para 45,72% dos válidos. O candidato do PL permaneceu na liderança, mas a disputa terminou mais próxima.
A vantagem de Flávio caiu de 233.989 para 154.318 votos, uma redução de aproximadamente 34%. A mudança de 79.671 no saldo mostra uma recuperação petista relevante em relação à distância inicial, mesmo sem troca de vencedor.
O comparecimento aumentou em 36.884 pessoas, menos que o crescimento de qualquer um dos finalistas. A expansão de ambos envolve também votos que, na primeira etapa, não estavam nas duas candidaturas.
Espírito SantoEspírito Santo: Lula reduziu a distância, mas Flávio permaneceu acima de 56%
Lula acrescentou 151.937 votos e chegou a 43,63% dos válidos, ante 37,76% no primeiro turno. Flávio ganhou 61.310 votos, mantendo a liderança com 56,37%.
A diferença passou de 383.166 para 292.539 votos a favor de Flávio. A redução de 90.627 corresponde a quase um quarto da vantagem inicial. Houve aproximação, mas o estado terminou menos equilibrado que Rio de Janeiro e São Paulo, onde Lula superou 46%.
O comparecimento cresceu em 56.932 pessoas. Na soma nacional, o Espírito Santo continuou favorecendo Flávio, mas com um saldo menor: esse efeito não aparece quando a leitura do mapa se limita à cor do vencedor.
GoiásGoiás: Lula cresceu um terço, mas a distância continuou ampla
Lula acrescentou 396.675 votos à votação do primeiro turno, uma expansão de 33,37%. Sua participação nos válidos saltou de 31,06% para 40,34%. O avanço foi expressivo para o petista, mas Flávio também ampliou sua base: ganhou 293.446 votos e terminou com 59,66%.
O efeito sobre a disputa foi menor do que o ganho bruto de Lula sugere. A vantagem de Flávio caiu de 863.008 para 759.779 votos: uma redução de 103.229, porque boa parte do avanço petista foi compensada pelo crescimento do adversário. Goiás ajudou Lula a diminuir sua desvantagem nacional, mas continuou entregando um saldo elevado a Flávio.
Os 472.041 votos de Ronaldo Caiado no primeiro turno tornam Goiás um caso particular na comparação. Havia um contingente expressivo de eleitores de uma terceira candidatura, além de 75.693 comparecimentos a mais no segundo turno. Isso ajuda a dimensionar a ampliação da disputa, mas os totais não revelam como os eleitores de Caiado votaram na etapa final.
MaranhãoMaranhão: Lula avançou enquanto Flávio perdeu votos
O Maranhão apresenta um movimento diferente do observado em grande parte do país. Lula acrescentou 241.930 votos, enquanto Flávio perdeu 9.069. O petista chegou a 69,54% dos válidos, ampliando a liderança que já tinha no primeiro turno.
A vantagem passou de 1.327.261 para 1.578.260 votos. O deslocamento de 250.999 na diferença resultou de dois movimentos simultâneos: aumento da votação de Lula e redução da votação adversária. Aqui, o desempenho de Flávio foi de queda absoluta, não apenas de crescimento inferior.
O comparecimento diminuiu em 32.572 pessoas. O avanço de Lula, portanto, ocorreu mesmo com menos eleitores presentes. Isso impede usar o aumento de participação como explicação geral para todos os estados e reforça a necessidade de examinar cada recorte.
Mato GrossoMato Grosso: avanço de Lula reduziu menos de 10% da vantagem adversária
Lula ganhou 112.486 votos e Flávio, 52.518. O petista passou de 29,18% para 33,94% dos válidos. Apesar do crescimento superior, permaneceu com aproximadamente um terço da votação válida.
A vantagem de Flávio recuou de 716.900 para 656.932 votos. A redução de 59.968 equivale a cerca de 8% da distância inicial, indicando que a recuperação petista teve efeito limitado sobre uma liderança muito ampla.
O comparecimento aumentou em 33.201 pessoas. O resultado manteve Mato Grosso como um estado de larga maioria para Flávio, embora o segundo turno tenha diminuído sua contribuição líquida à vantagem nacional do candidato.
Mato Grosso do SulMato Grosso do Sul: Lula passou de 40%, sem desmontar a liderança do PL
Lula saiu de 34,68% para 40,40% dos válidos, acrescentando 112.118 votos. Flávio ganhou 54.541 e terminou com 59,60%. O petista expandiu sua votação a um ritmo maior, mas a distância inicial ainda era elevada.
A vantagem do candidato do PL caiu de 356.496 para 298.919 votos. O deslocamento de 57.577 foi próximo ao de Mato Grosso, embora a disputa sul-mato-grossense tenha terminado proporcionalmente mais equilibrada.
O comparecimento cresceu em 53.240 pessoas. O estado ajudou Lula a reduzir a diferença nacional sem lhe dar uma vitória local, um movimento que precisa ser distinguido de uma mudança de liderança.
Minas GeraisMinas: a única troca de liderança veio com margem estreita
Flávio saiu do primeiro turno com 588.612 votos de vantagem. Lula acrescentou 1.162.163 votos, contra 464.238 do adversário, e terminou 109.313 à frente. Minas foi a única UF em que a liderança entre os dois finalistas mudou de mãos.
A passagem de Lula de 43,33% para 50,43% dos válidos produziu uma vitória apertada. O movimento entre turnos, porém, foi muito maior do que a margem final: a diferença entre os candidatos se deslocou 697.925 votos a favor do petista. Esse é o tamanho da contribuição mineira para a mudança do saldo nacional.
O comparecimento aumentou em 406.929 pessoas. Foi uma ampliação relevante da participação, mas inferior ao ganho de Lula e também à soma dos ganhos dos finalistas. A leitura precisa incluir a votação antes distribuída entre outras candidaturas e as mudanças nos votos brancos e nulos, sem atribuir automaticamente esses eleitores a um candidato.
ParanáParaná: crescimento de Flávio limitou o avanço de Lula sobre a diferença
Lula ganhou 511.907 votos e Flávio, 346.099. O petista passou de 31,20% para 37,42% dos válidos, mas o adversário também ampliou de forma expressiva sua votação e terminou com 4.291.444 votos.
A diferença caiu de 1.890.748 para 1.724.940 votos a favor de Flávio. Apesar de Lula ter acrescentado mais de meio milhão de votos, o saldo entre os candidatos se moveu apenas 165.808 a seu favor, porque o avanço do PL compensou parte importante desse ganho.
O comparecimento cresceu em 217.882 pessoas. O Paraná permaneceu uma fonte de grande vantagem para Flávio, embora tenha entregado a ele um saldo menor que no primeiro turno.
ParaíbaParaíba: Lula se aproximou de um milhão de votos de vantagem
Lula acrescentou 252.932 votos e avançou de 61,31% para 67,46% dos válidos. Flávio ganhou 33.833. A diferença passou de 709.750 para 928.849 votos, reforçando uma liderança já consolidada no primeiro turno.
O estado acrescentou 219.099 votos ao saldo favorável a Lula. Esse deslocamento foi maior, por exemplo, que o registrado no Paraná, apesar de a votação total para presidente ser muito menor na Paraíba. O peso na mudança nacional depende da diferença de crescimento entre os candidatos, não apenas do tamanho do eleitorado.
O comparecimento cresceu em 59.572 pessoas. A ampliação da participação ocorreu junto do avanço petista, mas não permite identificar o destino dos votos de quem havia se abstido ou escolhido outras opções.
ParáPará: Lula abriu distância mesmo com queda no comparecimento
Lula estava próximo da metade dos votos válidos no primeiro turno, com 49,91%, e chegou a 55,02% no segundo. Acrescentou 263.212 votos, contra 35.983 de Flávio. Sua vantagem passou de 263.280 para 490.509 votos, aproximando-se do dobro.
O fortalecimento ocorreu em um cenário de menor participação: houve 76.931 comparecimentos a menos. Mesmo assim, os dois candidatos ganharam votos. A concentração nos finalistas e as mudanças entre votos válidos, brancos e nulos são indispensáveis para entender a comparação.
O Pará acrescentou 227.229 votos ao saldo de Lula na disputa nacional. O estado mostra que ampliar a vantagem não depende necessariamente de elevar o número total de pessoas que comparecem às urnas.
PernambucoPernambuco: Lula ampliou a vantagem em quase meio milhão de votos
Lula passou de 3.553.971 para 4.117.513 votos, chegando a 69,20% dos válidos. Flávio ganhou 94.511 votos, contra 563.542 do petista. O segundo turno consolidou uma liderança que Lula já tinha, em vez de produzir uma troca de vencedor.
A diferença subiu de 1.815.928 para 2.284.959 votos. O acréscimo de 469.031 ao saldo de Lula mostra por que os estados onde ele já liderava também foram importantes para a virada nacional: não bastava conservar a base, e Pernambuco a ampliou.
O comparecimento aumentou em 215.405 pessoas. Houve mais participação e mais concentração dos votos nos dois finalistas; o crescimento de ambos impede descrever a votação de Flávio como parada, embora ele tenha ficado muito atrás na expansão.
PiauíPiauí: uma base já majoritária levou Lula a mais de 75%
Lula já tinha 70,99% dos válidos no primeiro turno e chegou a 75,88% no segundo. Acrescentou 130.279 votos, enquanto Flávio ganhou 8.831. O petista reforçou uma maioria que, desde a primeira etapa, era muito ampla.
A vantagem passou de 1.006.682 para 1.128.130 votos. O ganho de 121.448 no saldo nacional veio de um estado onde havia pouco espaço para mudança de líder, mas ainda havia espaço para ampliar a distância.
O comparecimento ficou praticamente estável, com 1.053 pessoas a menos. O caso contrasta com a expansão nacional da participação: Lula cresceu no Piauí sem que mais eleitores tivessem comparecido às urnas.
Rio Grande do NorteRio Grande do Norte: a vantagem petista cresceu quase um terço
Lula acrescentou 175.633 votos, contra 16.916 de Flávio, e passou de 59,75% para 65,72% dos válidos. A diferença de ritmo foi acentuada: o petista ganhou mais de dez vezes o número de votos adicionais do adversário.
A vantagem aumentou de 517.470 para 676.187 votos, cerca de 31% acima da distância inicial. O estado reforçou o saldo nacional de Lula em 158.717 votos, ampliando uma liderança já existente.
O comparecimento cresceu em 61.810 pessoas. O avanço de Flávio foi positivo em números absolutos, mas pequeno em comparação ao de Lula; essa distinção descreve melhor o resultado do que tratar sua votação como estagnada.
Rio Grande do SulRio Grande do Sul: Lula superou 40%, mas Flávio reteve mais de um milhão de vantagem
Lula passou de 35,73% para 42,16% dos válidos, com 529.793 votos adicionais. Flávio acrescentou 300.595. O avanço petista estreitou a disputa, mas não ameaçou a liderança a ponto de inverter o resultado estadual.
A vantagem de Flávio caiu de 1.279.024 para 1.049.826 votos. O deslocamento de 229.198 a favor de Lula foi o maior entre os três estados do Sul, superior aos observados no Paraná e em Santa Catarina.
O comparecimento cresceu em 186.735 pessoas. O resultado gaúcho teve, portanto, dois efeitos simultâneos: manteve uma contribuição grande à votação de Flávio e reduziu o tamanho dessa contribuição em relação à primeira etapa.
Rio de JaneiroRio: Flávio venceu, mas perdeu mais da metade da vantagem
A vantagem de Flávio caiu de 1.273.823 para 603.640 votos. Lula acrescentou 872.372 votos, mais de quatro vezes o ganho de 202.189 do adversário. O estado permaneceu com Flávio, mas passou a entregar a ele menos da metade do saldo obtido no primeiro turno.
Lula chegou a 46,90% dos válidos, ante 39,41% na primeira votação. O deslocamento de 670.183 votos na diferença entre os finalistas ficou próximo ao de Minas, de 697.925. O contraste é relevante: Minas trocou de líder; o Rio manteve o vencedor local, mas teve efeito quase tão grande sobre a mudança da diferença nacional.
O comparecimento aumentou em 217.647 eleitores, bem menos que o crescimento conjunto das duas candidaturas. O resultado mostra uma disputa que se concentrou nos finalistas e se tornou mais equilibrada, sem permitir identificar de onde veio cada novo voto.
RondôniaRondônia: os dois cresceram, e a vantagem de Flávio cedeu pouco
Lula acrescentou 43.779 votos, aproximadamente o dobro dos 21.394 obtidos a mais por Flávio. Sua fatia dos válidos passou de 25,89% para 30,39%, mas o candidato do PL continuou perto de 70%.
A vantagem de Flávio recuou de 402.321 para 379.936 votos. A redução de 22.385 foi pequena diante da distância inicial: o crescimento mais rápido de Lula melhorou sua posição sem desfazer a ampla liderança adversária.
O comparecimento caiu levemente, em 2.591 pessoas, enquanto as votações dos dois finalistas subiram. O caso evidencia como o encerramento das outras candidaturas e as mudanças nos votos não válidos podem ampliar os finalistas mesmo sem aumento de presença nas urnas.
RoraimaRoraima: retração de Flávio não ameaçou uma maioria de mais de 70%
Flávio perdeu 11.647 votos e Lula ganhou 9.085. Ainda assim, o candidato do PL terminou com 72,46% dos válidos. A vantagem diminuiu de 156.902 para 136.170 votos, preservando grande distância entre os dois.
Lula passou de 22,86% para 27,54% dos válidos. A melhora percentual não equivale a uma aproximação suficiente para disputar a liderança: a votação final de Flávio permaneceu mais de duas vezes e meia a do petista.
O comparecimento recuou em 24.175 pessoas. Assim como no Acre, a diminuição do saldo favorável a Flávio ocorreu em um eleitorado menos presente, e foi formada tanto pelo avanço de Lula quanto pela perda absoluta do adversário.
Santa CatarinaSanta Catarina: Lula cresceu, mas pouco alterou a ampla vantagem de Flávio
Lula acrescentou 291.146 votos e chegou a 30,58% dos válidos. Flávio ganhou 220.051 e terminou com 69,42%. Os dois avançaram, e o crescimento do candidato do PL absorveu grande parte do efeito do ganho petista sobre a diferença.
A vantagem de Flávio caiu de 1.872.852 para 1.801.757 votos: uma redução de apenas 71.095, ou cerca de 4% da distância inicial. O aumento de Lula aparece nos gráficos, mas produziu uma alteração relativamente pequena no saldo que o estado entregou ao adversário.
O comparecimento aumentou em 114.144 pessoas. Santa Catarina ilustra por que é necessário olhar simultaneamente o crescimento de cada candidato e a diferença entre eles: ganhar votos pode mudar pouco uma disputa quando o concorrente também avança.
SergipeSergipe: Lula se aproximou de 70% e ampliou a diferença em 117 mil votos
Lula passou de 62,75% para 69,53% dos válidos, acrescentando 133.022 votos. Flávio ganhou 15.515. O petista terminou com 989.041 votos, aproximando-se de um milhão no estado.
A vantagem cresceu de 438.180 para 555.687 votos. A ampliação de 117.507 corresponde a cerca de 27% da distância inicial e mostra o reforço de uma maioria que já estava estabelecida no primeiro turno.
O comparecimento aumentou em 27.577 pessoas. A expansão dos finalistas foi bem maior que esse acréscimo, de modo que participação e redistribuição das opções de voto precisam ser consideradas conjuntamente, sem presumir transferências individuais.
São PauloSão Paulo: perder por menos teve grande peso na virada nacional
Lula ganhou 2.613.861 votos em São Paulo, seu maior acréscimo absoluto entre as UFs. Flávio também teve ali seu maior ganho estadual: 1.217.155 votos. Por isso, o estado continuou com o candidato do PL, que terminou com 14.139.178 votos, diante de 12.119.274 do petista.
O dado central é a redução da diferença: de 3.416.610 para 2.019.904 votos a favor de Flávio. O deslocamento de 1.396.706 votos na disputa paulista equivale a cerca de 21% da mudança do saldo nacional entre os dois turnos. Lula não precisou vencer o estado para que ele tivesse peso expressivo na sua recuperação.
O comparecimento cresceu em 932.397 pessoas. Ainda assim, a expansão conjunta dos finalistas foi de 3,83 milhões de votos, mostrando que a disputa por quem havia escolhido outras candidaturas, votado branco ou nulo também importa na comparação. A contagem estadual não identifica essas trajetórias individuais.
TocantinsTocantins: a vantagem de Flávio caiu para menos de 25 mil votos
Flávio manteve a liderança, mas sua vantagem encolheu de 65.312 para 24.954 votos. Lula ganhou 38.953 votos e chegou a 48,63% dos válidos; Flávio perdeu 1.405. O segundo turno aproximou o estado do equilíbrio, sem alterar o vencedor local.
A redução de 40.358 votos corresponde a cerca de 62% da vantagem inicial de Flávio. O movimento teve escala nacional menor do que o de estados populosos, mas foi intenso em relação à distância que separava os finalistas no próprio Tocantins.
O comparecimento diminuiu em 10.433 pessoas. O estreitamento da disputa, portanto, ocorreu com menos presença nas urnas, e não por uma expansão geral da participação no estado.