
Especial · Eleições presidenciais 1989–2026
Esquerdae os dois lados da urnaDireita
Dez disputas pela Presidência desde a volta do voto direto. Como os campos da esquerda e da direita se formaram, venceram, perderam e se reinventaram — eleição por eleição, até o segundo turno de 25 de outubro de 2026.
Antes de ler
Antes de começar
Como lemos esquerda e direita
Desde 1989, o Brasil escolheu o presidente pelo voto direto em dez ocasiões. Em quase todas, a disputa decisiva opôs um candidato do campo da esquerda — o PT, em todas as vezes — a um adversário do campo oposto.
Esse campo oposto mudou de cara. Nos anos 1990 e 2000, foi ocupado pelo PSDB, partido nascido social-democrata e que se descrevia como de centro, mas que se tornou o principal polo anti-PT. A partir de 2018, o lugar passou a uma direita declarada, liderada pela família Bolsonaro.
Parte 1
O pêndulo
O gráfico mostra, a cada eleição, a votação do principal nome de cada campo no turno que decidiu a disputa. Em 1994 e 1998 não houve segundo turno, por isso a soma das duas linhas fica abaixo de 100%. Passe o mouse ou toque em um ano para ver o placar e o mapa daquela eleição.
Votos válidos no turno decisivo (%)
2026: resultado do 1º turno; o 2º turno acontece em 25/10. Fonte: TSE.
Parte 2
Dois lados, uma linha do tempo
À esquerda da linha central, a trajetória da esquerda; à direita, a do campo adversário. Entre uma eleição e outra aparecem os programas criados por cada governo e, em destaque, os acontecimentos que mais pesaram nas urnas.
Parte 3
Como cada campo conta a própria história
Um resumo dos argumentos que defensores e críticos de cada lado costumam usar. Não é um julgamento: é o mapa da discussão.
Esquerda
O que dizem os defensores
- Os governos do PT tiraram milhões da pobreza com Bolsa Família, valorização do salário mínimo e crédito.
- Ampliaram o acesso à universidade com cotas, ProUni e expansão das federais.
- A prisão de Lula foi anulada pelo STF, o que reforçaria a tese de perseguição judicial.
O que dizem os críticos
- Mensalão e Petrolão mostrariam corrupção sistêmica em governos petistas.
- A recessão de 2015–2016, uma das maiores da história, teria origem na política econômica de Dilma.
- A anulação das condenações se deu por questão processual, sem absolvição no mérito.
Centro-direita e direita
O que dizem os defensores
- O Plano Real e a responsabilidade fiscal dos anos FHC deram estabilidade ao país.
- A direita recente representa valores conservadores, segurança pública e menos Estado na economia.
- Inelegibilidade e condenação de Bolsonaro seriam, para seus apoiadores, perseguição política.
O que dizem os críticos
- As privatizações dos anos 1990 teriam sido feitas a preços baixos e sem retorno social.
- O governo Bolsonaro teria minimizado a pandemia e atacado as urnas e o STF.
- O 8 de janeiro e a condenação no STF mostrariam uma tentativa de ruptura democrática.